clique{cultural}
Publicidade
Literatura

Precisamos do inverno se quisermos ler esse livro

Publicado em 24 de fevereiro de 2017 por

Elaborado de uma forma única e singular, esse livro tem muito a dizer, mas você vai ter que se esforçar para poder ver isso.

livro invisível
Publicidade

É bem provável que, hoje em dia, a maioria das pessoas já tenham cruzado com moradores de rua. A verdade é que eles estão sempre lá; no seu caminho pra casa, circulando pelas ruas… até arrisco dizer que, embora não devesse ser, se tornou uma coisa normal. Parece que aceitamos que algumas pessoas simplesmente não têm esse privilégio de poder voltar para uma casa quentinha quando chega o final do dia. Parece que transformamos seres visíveis em invisíveis.

Como eu disse, eles estão lá, tentando lidar com uma realidade que não está certa. E se o ambiente na rua já é por si só, inóspito, ele consegue ficar pior. Seja por intervenções de outras pessoas, ou até mesmo aquelas puramente naturais.

Todos os anos, vários desabrigados morrem devido as terríveis condições de sobrevivência, o frio pode ser uma delas. Na Polônia, país onde a temperatura pode chegar até -15ºC no inverno, fica difícil conseguir lidar.

Pensando nisso e, em uma forma de dar voz aqueles que mais entendem da situação, a Fundação Kapucynska, que fica na cidade de Varsóvia, faz parte de um projeto, juntamente com a agência Walk Group, na edição e publicação de um livro intitulado Invisible (Invisível).

livro invisível

Foto por: Niewidzialni

Escrito por moradores de rua, a obra conta com uma característica bem especial: precisamos nos colocar no lugar daqueles que escreveram e estar no mesmo frio que eles.

A edição foi elaborada com uma tinta especial que só aparece quando a temperatura chega a, no mínimo, 0ºC. Os textos, que passam por poemas e contos, também relatam experiências pessoais, levando o leitor para aquela realidade tão cruel.

livro invisível

Foto por: Niewidzialni

Foto por: Niewidzialni

Marek Sekretny, o diretor da fundação tem uma opinião bem formada sobre isso: “Moradores de rua são estereotipados de formas prejudiciais. Esquecemos que, assim como nós, eles também tinham empregos, familiares, lares e amigos – e eles podem ter perdido tudo isso por inúmeras razões. Devido à falta de sensibilidade, pressa constante e ignorância das pessoas ao redor, eles também perderam a esperança de que poderiam mudar as suas vidas para melhor. Espero que a nossa atitude ajude a mudar a atitude em relação aos moradores de rua, deixando-os falar e mostrando a sua sensibilidade.”

Todo o lucro retido com a vendas dos livros vai ser aplicada diretamente na Fundação Kapucynska.

Publicidade

Comentários (0)