clique{cultural}
Publicidade
Comportamento

A incrível viagem de volta ao mundo feita por Helia Lin

Publicado em 16 de março de 2017 por

Fazer uma viagem de volta ao mundo é um sonho? Saiba que ele é possível! Helia Lin, dona do portal Asas Abertas, vai te mostrar como!

Publicidade

Quem aí não sonha em fazer uma viagem de volta ao mundo?

Esse sonho, que pertence a muitas pessoas, é o rosto da expressão: “viajar é a única coisa que você compra e te faz mais rico.” Mas nem sempre nós sabemos por onde começar.

Eu tive o prazer de ter um bate-papo com a criadora do Asas Abertas, Helia Lin. Ela deu o passo que muitos querem dar, a maravilhosa viagem de volta ao mundo e, de um jeito bem sincero e leve, ela contou tudinho. Desde como foi sair do Brasil e até o medo de viajar sozinha.

Se você quer dar esse passo também, mas tem dúvidas e receios, está no lugar certo. Conheça a Helia e se inspire com a história dela!

Helia, conta pra gente então como começou esse sonho!

Eu trabalhei 10 anos no mundo corporativo, no efeito manada, achando que aquela vida era de sucesso. Um bom cargo, um bom salário, vários benefícios e bens materiais… eu achava que aquela era a felicidade. No entanto, eu percebi que eu não ia feliz pro trabalho. Estranhamente eu estava infeliz. Depois eu fui perceber que, na verdade, o que me fazia feliz era ajudar as pessoas, fossem desconhecidos, em trabalho voluntário, ou os meus próprios amigos. E aí eu vi que eu precisava partir para um trabalho com propósito. Decidi então fazer o que eu mais amo, que é viajar. Fui viajar e juntei o trabalho voluntário. Porque, até então, eu sabia que não queria mais aquela vida, mas não sabia ao certo o que fazer. Então eu fui tirar um ano sabático, e todos os trabalhos voluntários que eu fiz na África do Sul, na Índia, e nos outros lugares que eu conheci, realmente me transformaram.

Voltei para o Brasil certa de que eu precisava encontrar um trabalho que me desse tempo e liberdade, e fosse algo com um propósito, onde eu pudesse ajudar pessoas. Foi nessa etapa então que surgiu o Asas Abertas, que é como se fosse uma escola de coisas que nós não aprendemos na escola tradicional. Lá eu falo muito de coragem, motivação, como enfrentar o medo, ir atrás do sonhos, etc.

Com isso, eu consegui o trabalho que eu sempre quis – ajudar pessoas. Isso aconteceu naturalmente. As pessoas me viram dando a volta ao mundo e começaram a fazer perguntas não apenas sobre a viagem ou sobre os países, mas também como eu consegui, quais foram os passos que eu dei, como que eu não fiquei com medo… todo mundo tinha muitas dúvidas.

Você já tinha lugares certos que queria conhecer? Como foi essa escolha?

Eu gostava muito de assistir o antigo Canal Cultura e a Discovery Chanel. Eram programas que mostravam safari, surf, natureza, trilhas… e, desde pequena, eu sempre assistia aquilo pela TV e sonhava em estar naquelas lugares, ver aqueles animais e fazer aqueles mergulhos. Eu via documentários das 7 Maravilhas do Mundo e falava, “eu quero estar lá”.

Então, eu peguei um mapa-múndi e resolvi acreditar mesmo nos meus sonhos. Comecei a circular os primeiros lugares que vinham na minha mente. Surf no Havaí – eu assistia muito MTV, e tinham aquelas competições com o Kelly Slater -, depois veio a Muralha da China e várias coisas, como os coalas da Austrália, as girafas e os elefantes da África, o mergulho no Caribe e a Route 66 – que eu sempre via nos filmes.

Alguma cultura que te chocou de uma forma negativa?

De longe, o país que mais me marcou, tanto positivamente e, eu não diria negativamente, acho que foi um país que me ensinou muitas coisas, foi a Índia. Eu posso quase dizer que lá é como um outro planeta. É bem diferente e eles têm aquele sistema de castas. Quando você nasce em uma família muito rica, você é sempre rico, ou se você nasce em uma casta muito baixa, você é destinado a alguns trabalhos como recolher fezes e mexer com defuntos. E essas pessoas, de castas mais baixas, têm que ser boas porque, na próxima geração, elas têm a possibilidade de nascer numa família mais rica. Então isso me chocou um pouco, porque aqui no Brasil, é diferente, né? Se você batalha, você consegue evoluir na vida, consegue um bom emprego. Lá na Índia, é um pouco de você ter que aceitar a sua realidade, por mais que você seja inteligente. E também a pobreza é extrema. Eu não imaginava que tinham pessoas em condições tão precárias, então eu até ficava sem graça. Eu ficava em um alojamento e, quando eu ia jantar ou almoçar, eu pensava assim “Meu Deus, essa comida que eu estou jantando hoje, é provavelmente a comida de uma semana de uma família inteira”.

Na Índia, eu tive muitas reflexões sobre a vida. O trabalho voluntário que eu fiz lá, foi na Instituição da Madre Teresa de Calcutá e era com crianças resgatadas do tráfico de crianças e também da prostituição, então eram histórias bem tristes. Mas, ao mesmo tempo, eu aprendi muito, porque essas crianças, de 8/9 anos, falavam “eu quero ter um futuro diferente, eu quero estudar e não quero ser como os meus pais”. Foi muito bom. A princípio impactou negativamente, mas depois eu consegui extrair grandes aprendizados que mexeram comigo completamente.

Quanto tempo você ficou na Índia?

Eu fiquei um mês na Índia. Foi um período muito bom. Uma mudança de vida!

Todas as viagens foram feitas sozinhas? Você chegou a encontrar alguém pelo caminho?

No planejamento da viagem, a gente sempre tenta chamar alguns amigos, né? Aqueles mais corajosos. (risos) Só que eu percebi que eu estava adiando muito o meu sonho porque eu não achava alguém para viajar comigo. Os meus amigos, ou não tinham dinheiro, porque não haviam feito um planejamento, ou não tinham tempo, por causa do trabalho, ou não tinham coragem, que era o principal. Muitas vezes a pessoa até tinha o dinheiro, até teria tempo, mas não tinha aquela coragem de largar tudo, chutar o balde e ir pro mundo. Então eu falei assim, “nossa! Até quando eu vou esperar?”.

Resolvi ir sozinha e, o que eu percebi, foi que, muita gente era como eu. É muito comum, europeus e australianos viajarem sozinhos. E, eu reparei que, na verdade, esse medo de viajar sozinho é bem cultural, bem latino. Nós brasileiros somos muito apegados as pessoas. E eu aprendi muito com os europeus que os nossos familiares e amigos vão estar sempre lá, nada vai mudar.

Viajar sozinha foi muito bom, porque isso te deixa muito mais aberto para conhecer novas pessoas e novas culturas. Você fica muito mais curioso, mais antenado do que está acontecendo.

Eu até conheci alguns amigos na viagem. Fiz amizades no México, que encontrei depois na África do Sul. É uma coisa muito de viajante, um conhece o outro e depois isso vai se espalhando. E depois, na China, eu encontrei a minha mãe e o meu irmão. Eles moram no Brasil, foram até a lá e mochilaram comigo, foi muito bom! Festejamos o ano novo chinês, eles voltaram para o Brasil e eu continuei pra Tailândia.

Você sentiu, em algum momento da viagem, medo por estar sozinha?

Sim, com certeza! Até tem uma palestra que eu dou que se chama “Como empoderar mulheres com viagens”, e muitas mulheres se conectam comigo sobre essa questão. Então o que eu digo sempre é que, infelizmente, para nós mulheres, isso é uma realidade. Todo dia a gente se depara com o machismo de alguma forma, seja em um olhar, um comentário, ou até mesmo sem querer, de amigos e familiares. Então acabamos sendo engolidas por isso, que é cultural. 

O que eu fiz antes de viajar foi pesquisar bastante todos os países, principalmente a Índia. Muita gente falava “não vai pra Índia, não vai pra África porque tem muita violência sexual contra a mulher”. Mas eram lugares que eu queria mesmo ir. Porque ir para os Estados Unidos é legal, ir para a Europa também é legal, mas eu queria estar em um lugar onde eu realmente pudesse fazer a diferença para alguém.

Então eu pesquisei mesmo a fundo, para saber se era aquilo mesmo. Conversei bastante com pessoas que já tinham ido para esses lugares, fiz perguntas para saber como que era e se dava para ir. No resultado dessa pesquisa, eu vi que os índices de violência contra a mulher nesses países eram menores que no Brasil. Isso ajudou muito na minha autoconfiança. 

Eu também queria ir pro Egito, mas muitas pessoas falavam para eu não ir sozinha, porque lá é perigoso. Então esse lugar eu realmente tirei, mas os outros eu fui e eu senti medo diversas vezes, mas antes de sair do Brasil, eu tinha feito um curso de Krav Maga, que é de defesa pessoal, para caso acontecesse alguma coisa. E eu tinha sempre na minha bolsa um apito e uma faquinha. Na maioria dos países, quando você faz muito barulho, isso inibe qualquer agressor. Por sorte eu nunca usei nada disso, mas eram medidas segurança.

Qual foi o tempo de duração da sua viagem?

A minha viagem durou onze meses, e todo esse tempo foi sem voltar para casa. Mas, no início, o planejamento era viajar durante seis meses, só que eu vi que eu precisava de mais tempo em cada país. E eu gosto desse estilo slow travel, que é você ir viajando mais devagar, conhecer os nativos, ficar mais tempo nos lugares. Porque, imagina só, nos três primeiros dias, você faz aquela coisa mais turística, visita os principais pontos, depois você começa a conhecer as pessoas. Inclusive, eu tive a chance de almoçar e jantar em casa de moradores locais. E como eu me planejei bem, eu vi que o dinheiro sobrou, e eu podia ficar mais, então deu para estender até quase um ano.

Só que agora, como eu tenho eventos, faço cursos, workshops e palestras aqui no Brasil, as minhas viagens se tornaram menores.

E para terminar, se você fosse se mudar para algum dos países incríveis que conheceu, qual seria?

Nossa, essa pergunta é boa! (risos) Eu diria que, mesmo tendo conhecido o mundo, o Brasil é ruim, mas é bom! Ele tem lá os seus problemas, mas não existe um povo tão alegre, feliz e prestativo como o povo brasileiro. E aqui o clima é bom, tem frio, tem calor, e também tem abundância de oportunidades. É um lugar onde é possível fazer a diferença. Então, em primeiro lugar, eu ficaria aqui mesmo, em segundo lugar, na Nova Zelândia. Lá é um lugar incrível, tanto as pessoas, como a natureza. Talvez eu morasse lá, mas acho que apenas por um período. Depois eu voltaria para o Brasil. (risos)

viagem de volta ao mundo

A Helia também fez uma viagem incrível no Brasil e conheceu algumas tribos indígenas!

Eu tenho certeza que você ficou inspirado com essa história! E não é para menos. Então, se já deu aquela vontade de fazer as malas e trilhar a rota, aproveite e conheça a 3ªJornada Empreenda Viajando que vai estar acontecendo entre os dias 27 de Março e 03 de Abril.

O evento é gratuito e on-line. Por isso, nada de desculpas! Chegou a sua vez de mudar a sua vida e realizar todos os seus sonhos!

Para participar, clique AQUI e se inscreva.

“Você vai descobrir como encontrar o seu trabalho com propósito e viver com mais motivação. Vai saber o passo-a-passo de construir histórias que irá se orgulhar de contar aos seus filhos e netos no futuro.”

Conheça também todas as redes sociais onde você conhecer o trabalho da Helia: FacebookInstagramYoutube e claro, o site Asas Abertas.

Publicidade

Comentários (0)